Proposta para a criação do PNBIMA está entregue à DNA

A Associação LANTUNA, a Universidade Jean Piaget de Cabo Verde e a Universidade do Algarve, Portugal, entregaram hoje, dia 17 de Março de 2020, à DNA (Direção Nacional do Ambiente) a sua proposta para a criação do Parque Natural da Baía do Inferno e do Monte Angra, na ilha de Santiago.


A proposta é constituída por um dossier técnico bastante detalhado e por uma manifestação de apoio com mais de 300 subscritores, incluindo muitos residentes nas povoações situadas nos limites do PNBIMA. Aliás, a elaboração da proposta foi acompanhada por um processo de participação cívica, durante o qual as referidas populações foram sendo informadas e envolvidas no processo.


O Parque Natural da Baía do Inferno e do Monte Angra terá, caso a proposta venha a ser aceite, uma área total de 48,20 km2, dos quais 28,14 km2 (58,4% da área total) são terrestres e os restantes 20,06 km2 (41,6%) são marinhos.


Nos limites do futuro PNBIMA estão duas povoações litorais e piscatórias (Porto Mosquito e Porto Rincão) e uma povoação serrana e rural (Entre Picos de Reda). Todo o Parque Natural é, administrativamente, parte da freguesia e concelho de Santa Catarina.


No interior do futuro PNBIMA convivem valores naturais muito diversos, desde as formações geológicas do Pliocénico-Miocénico e os quatro arcos de crateras vulcânicas, dois na proximidade do cume do Monte Angra e os outros na proximidade do Monte Xerife, até a uma biodiversidade animal muito rica, com, por exemplo, a maior colónia nidificante de alcatraz (Sula leucogaster) existente em Cabo Verde e uma das maiores de rabo-de-junco (Phaethon aethereus) de toda a África ocidental. Três espécies diferentes de tartarugas marinhas (Eretmochelys imbricata, Chelonia mydas e Caretta caretta) e outras tantas de golfinhos e de baleias (Stenella attenuata e Globicephala macrorhynchus) habitam ou visitam regularmente as águas da Baía do Inferno. Na biodiversidade vegetal, e mesmo sendo escassa a vegetação, é frequente o espinheiro-branco (Acacia caboverdeana), uma das poucas espécies de porte arbóreo endémicas de Cabo Verde.


As paisagens, sejam as emersas, sejam as subaquáticas, são também apaixonantes. Do mar para a terra, impõem-se as imponentes falésias coroadas pelo Monte Angra. No cume do mesmo, a cerca de 650 metros de altitude, as falésias não são menos imponentes e quando a visibilidade o permite, avista-se a ilha do Fogo. Por isso, o turismo de natureza é um dos potenciais do território. Se for devidamente gerido poderá contribuir para o bem-estar sócio-económico das populações residentes e, simultaneamente, poderá oferecer novas experiências aos visitantes. A pressão humana sobre os recursos naturais (p.ex. a pesca) poderá reduzir-se, assegurando o futuro do PNBIMA.


Conheça a proposta de Limites do PNBIMA AQUI.


Se as autoridades nacionais aceitarem a proposta agora apresentada, o novo estatuto de área protegida vai juntar-se a um internacional já existente, o de Important Bird Area atribuído pela BirdLife em 2001. De facto, a Baía do Inferno é a IBA-CV003, devidamente apresentada AQUI.



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